Na carta para os Hebreus, no capítulo 4, verso 3 diz: “Quanto a nós, visto que cremos, temos a certeza de entrar no repouso do Senhor. Quanto aos que não creem o Senhor disse: Na minha indignação obriguei-me com juramento a não deixar que entrassem no meu repouso, embora este lugar de repouso esteja pronto desde a criação do mundo.”.

 

A palavra repouso em hebraico, shabāt, tem relação com o verbo shavāt que significa cessar, parar. Apesar de ser vista quase universalmente como descanso ou um período de descanso, uma tradução mais literal seria cessação, com a implicação de “parar o trabalho”. Portanto, Shabat é o dia de cessação do trabalho; enquanto que descanso é implícito, mas não uma denotação da palavra em si. Por exemplo, a palavra greve, em hebraico shevita, vem da mesma raiz hebraica que Shabat e tem a mesma implicação: trabalhadores em greve que se abstêm ativamente do trabalho, ao invés de passivamente. Shabat é a fonte para o termo em português sábado e para a palavra que denomina esse dia da semana em muitas outras línguas. A palavra sabático que refere-se ao ano sabático na Bíblia, ou o ano que uma pessoa tira sem trabalhar, especialmente no mundo acadêmico, também vem desta raiz. No grego, a palavra descanso ou repouso tem origem da palavra grega Katapausis. Esta tem relação com o verbo katalasso, que significa mudar, intercambiar, e também, reconciliação, em sua raiz. A palavra grega, Pausis, significa parada, descanso.

 

Podemos dizer, por revelação divina, que o descanso, o repouso que o Senhor se refere nas escrituras, tanto no velho como no novo testamento, fala de uma interrupção de um ciclo para que haja uma mudança para um novo ciclo. Jamais podemos confundir o descanso do Senhor como uma palavra passiva, mas como algo ativo, com atitudes concretas e conscientes de alguém que deseja uma verdadeira mudança no curso da sua vida, a fim de compreender o seu propósito nesta terra através de um relacionamento íntimo e sincero com o nosso Criador.

 

Por que então estamos propondo que haja um aprendizado para que alcancemos o descanso do Senhor? Talvez você possa pensar ou até mesmo falar que estamos nos moldando ao judaísmo, aos termos judaicos, às doutrinas e modismos. Sobretudo estamos falando de um tempo apostólico e profético! Estamos em um ano Shemitá (2014 e 2015), para aqueles que creem logicamente, pois a promessa foi feita pra todos, mas pouquíssimos creram e entraram na posição de descanso.

 

O ano Shemitá é o sétimo ano do ciclo de sete anos, quando a terra de Israel tinha para descansar, sendo um ano de reposição econômica para o sistema financeiro judaico. Desde Gênesis, Deus opera em ciclos relacionados com os sete dias da criação, por exemplo a semana de sete dias, com o sábado para descanso. Temos o ciclo de sete anos conhecido como Shemitá e o ciclo de sete Shemitás, totalizando 49 anos, que terminam no ano do Jubileu.

 

Neste ano Shemitá, o Senhor propõe aos Seus filhos uma reconciliação, um retorno para a posição original para entrarmos no Seu descanso, preparado desde a criação de todas as coisas para aqueles que creem. Eis a citação “E abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou, porque nele descansou de toda a obra de criação que fizera.” a qual, até os dias atuais, nos chama para esta posição espiritual. O tempo profético atual anuncia uma nova chamada do Senhor para os Seus filhos, a fim de entrarmos nesta dimensão espiritual do Seu descanso. Não um descanso doutrinário, onde buscamos cumprir as doutrinas e jugos religiosos, mas um descanso consciente através da fé em nosso Senhor Jesus e o Seu reino, o qual fomos chamados para um propósito nesta terra para que Seu reino e Sua justiça seja manifestada através do nosso testemunho. Novamente, o descanso que o Senhor está propondo é que entramos numa posição espiritual de íntimo relacionamento e, principalmente, acreditar que quando priorizamos o Seu reino e a Sua justiça, todas as demais coisas serão supridas por Ele.

 

Quando falamos de um testemunho, necessitamos compreender que isto fala de uma vida de fé e de práticas. “Ora, a fé sem obras é morta.”, ou seja, o testemunho que o Senhor deseja que manifestamos do Seu reino e da Sua justiça é com a nossa própria vida, com as nossas atitudes, com o nosso caráter. Lembro-me de um dito popular que diz: “Mais vale uma atitude do que mil palavras”. Do que vale eu entender, guardar um sábado, um ano sabático, ano jubileu, se o Cristo não vive em mim? Isso sim é religião, doutrina, dogmas, mas o chamado do Senhor para este tempo é para aqueles que creem nas Suas promessas, na Sua palavra, no fato de que estamos num tempo do sem limites, do infinitamente mais do que pedimos e pensamos, em todas as dimensões (espirito, alma e corpo). O Apóstolo Paulo disse que se ele vive é para Cristo e que também sofre com as dores de parto para que o Cristo nasça em nós.

 

O ano de 2015 será um ano marcado pela manifestação do poder de Deus através do Seu Espírito Santo. Já estamos vendo sinais e maravilhas na terra desta manifestação. O fato é que neste tempo apostólico e profético, para aqueles que há anos tem buscado o Senhor, a Sua presença, para que sejam cheios do Espírito Santo, muitos estão distraídos e ocupados com as coisas e os afazeres do mundo, pois já não acreditam mais que Ele pode fazer algo por sua vida. Assim decidiram caminhar numa carreira solo, nas próprias capacidades, nas próprias forças, e, ainda pior, estão se conformando com as práticas de um mundo que já foi julgado e está próximo do seu fim. Este caminho é insustentável, improvável, irreal, e que no fim vence a corrupção, a tristeza, a angústia, o medo.

 

Quando falamos do fim do mundo, precisamos ter a consciência que não se trata do fim, do extermínio das coisas físicas e naturais, mas sim do fim de um sistema de governo que tem como principal objetivo submeter os seus cidadãos a uma escravidão, de forma velada é claro, mas que, no seu bojo, faz com que as pessoas vivam para ele como escravos. Novamente, o Apóstolo Paulo diz que se estamos em Cristo somos livres e não devemos voltar à escravidão e ao seu jugo.

 

Neste tempo apostólico e profético, especificamente neste ano de 2015, um ano Shemitá, os olhos do Pai estão atentos para a terra buscando os verdadeiros e legítimos filhos, aqueles que o adoram em espírito e verdade, ou melhor, com uma única verdade. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” disse Jesus. O Pai está nos chamando novamente para o Seu descanso, um tempo de consagração, adoração, humilhação e rendição aos seus pés; um tempo de reconhecimento e prioridade do Seu reino e da Sua justiça em nossas vidas, e principalmente, que honremos a Ele com um coração inteiro e verdadeiro. O rei David disse que devemos confiar Nele e entregar nosso caminho a Ele, e, consequentemente, todas as demais coisas Ele fará. Eis a citação: “É impossível agradar a Deus sem fé, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é recompensador dos que o buscam.”.

 

Embora este seja o verdadeiro descanso que devemos buscar e entrar, muitos não aprenderam a descansar no Pai; muitos não sabem que existe um descanso para os filhos do Pai; muitos sabem, mas decidiram viver por si mesmos, para os seus deleites e suas vontades. “Nós os que cremos, temos a certeza que entraremos no descanso do Senhor”, disse o escritor do livro de Hebreus. Este mesmo escritor nos diz que muitos estão ouvindo que há um descanso para os filhos, mas não misturam com a fé. Nos quatro cantos desta terra a trombeta do evangelho do reino de Deus está soando, anunciando a boa, agradável e perfeita vontade do Pai, mas os que ouvem não conseguem acreditar, no seu coração, nesta mensagem: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. No livro de Apocalipse onde temos a revelação das coisas que ainda não aconteceram, diz que “nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver prestes a tocar a sétima trombeta, se cumprirá o mistério de Deus, como anunciou os profetas, seus servos.” E qual o mistério se cumprirá? O Apóstolo Paulo disse na carta aos Colossos, que o mistério que esteve por muito tempo oculto agora foi revelado para os seus santos. Eis a citação: “O mistério esteve oculto durante séculos e gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos. A eles Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.”.

 

Só existe um caminho, uma porta para entrar no descanso do Pai e manifestar o Seu mistério, o Cristo. Jesus disse para um grande escriba da sinagoga: “Importa-vos nascer de novo”. Todos que acreditam ser filhos de Deus necessitam nascer de novo. Nada se refere a sua religião ou uma nova religião, mas sim com o desejo de viver uma nova vida, de viver o propósito do Pai, os planos do Pai para a sua vida e para esta terra. Nascer de novo implica em renúncia e principalmente em transformação dos modelos mentais. Na carta para os romanos, o Apóstolo Paulo diz que devemos recusar o modelo do governo do mundo, mas esta recusa se dá unicamente pela rejeição do modelo mental que está no homem natural. Assim, ele nos convida para um processo de renovação da nossa maneira de pensar, da estrutura do nosso pensamento. Este é o verdadeiro descanso, repouso para os filhos de Deus, o qual exige uma decisão consciente para interromper um processo natural de uma vida limitada, escassa e aprisionada no modelo humano, a fim de buscar a verdadeira vida e a sua abundância como foi o propósito de Jesus. Eis a citação: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”.

 

Quando buscamos esta vida que Jesus anunciou, necessitamos compreender que o propósito de Deus para esta terra onde habitamos é que o sistema, o modelo de governo do reino dos céus, seja implantado e vivido por seus filhos na terra. A principal oração que Jesus nos ensinou diz “Venha o teu o reino”. O Apóstolo Paulo diz que “somos embaixadores de Cristo nesta terra”. Assim, compreendemos que a missão, o propósito dos verdadeiros filhos de Deus, é aprender, viver e multiplicar esta cultura e modelo de governo dos céus na terra, para que através dos filhos a vontade do Pai seja feita também na terra. Neste tempo apostólico e profético atual, muitos projetos inéditos em várias áreas da sociedade (família, cultura, mídia, política, economia, educação, saúde) serão confiados aos filhos que entrarem no descanso do Pai. No livro de Colossenses diz “em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.”. Em quem? No Cristo!

 

Como falamos acima, para entrar no descanso do Pai é necessário uma decisão para interromper um processo do modelo de pensamento humano, limitado, implantado pelo governo do mundo e buscar o modelo de pensamento celestial, divino, através da intimidade e relacionamento com o Pai, pois como os projetos inéditos serão revelados aos Seus filhos? “Nos temos a mente de Cristo.”. A posição de descanso do Pai é espiritual e requer dos seus filhos uma intimidade, um relacionamento através do espírito com o Seu Espírito Santo.

 

Entrar no descanso do Senhor não nos remete a uma vida passiva, de espera por uma vida melhor, de uma conformação com este mundo pois o que virá é perfeito. Pelo contrário, nos remete a uma vida de intensa busca por uma intimidade, um relacionamento com o nosso Criador e, principalmente, de atitudes concretas e ousadas para que sejamos um canal, um instrumento da manifestação da glória, do poder, do amor, de transformação do caos que está no mundo, dos projetos inéditos do Pai para esta terra. No livro do Atos dos Apóstolos, o Senhor diz que Ele está nos céus assentado no Seu trono, mas que os seus pés estão na terra. Quem são os pés do Senhor na terra? Lembre-se que Deus é espírito e implica que nós nos relacionamos com Ele através do espírito. Os pés do Senhor nesta terra somos nós, os filhos maduros, conscientes do seu chamado, do seu propósito, e que não temem os maus deste mundo, mas avançam para que o propósito eterno se cumpra: “todos os reinos desta terra vieram a ser do nosso Senhor”. Neste mesmo versículo do livro dos Atos dos Apóstolos o Senhor pergunta: “Que casa me edificareis? Ou qual é o lugar do meu repouso?“. Acredito que agora temos a certeza do porquê o Senhor deseja que entramos no Seu descanso: é para que sejamos a Sua habitação, o lugar do descanso do Pai. Eis a citação: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus”. Entrar no descanso do Pai significa nos permitir que o Pai faça-se habitar em nós, descansar em nós. Assim, seremos verdadeiramente a luz para esta terra, o sal para este mundo. Daí a necessidade de uma decisão, de uma interrupção do modelo humano para que entramos neste lugar de repouso, de descanso, pois, caso contrário, apenas vemos o reino, mas não podemos usufruir dele, desfrutar da sua justiça, paz e alegria.

 

 

Nada humano pode te convencer da verdade, a não ser o Espírito Santo de Deus. Neste momento, me coloco como uma luz diante das trevas para que você decida o que deseja fazer: seguir a luz ou continuar nas trevas. Continuar nas trevas significa ter as mesmas experiências, os mesmos resultados que tem feito você desejar uma mudança e não ter a certeza do caminho a seguir. Quando houve trevas densas, intensas no Egito que até poderiam ser tocadas, os filhos de Deus que estavam aprisionados debaixo de um governo humano, cruel e corrupto, diz-se que, na casa dos filhos de Israel, havia luz. Quando nos submetermos aos princípios do governo do reino dos céus estaremos totalmente protegidos do governo do Egito, porém continuaremos no mundo. Jesus disse quando orava ao Pai: “Pai eles não são deste mundo, mas não os tire do mundo e sim proteja-os do maligno.”. Por que temos que continuar no mundo? Para que sejamos o instrumento de reconciliação dos filhos pródigos, para que eles reconheçam a importância de voltar à casa do Pai.

 

Neste ano de 2015, no ano Shemitá, o Senhor está nos chamando para o Seu descanso novamente. Um chamado para aqueles que estão dispostos a renunciar o modelo do mundo e entrar no Seu reino, no Seu descanso. Agora, a decisão de entrar no Seu descanso é sua. Eu, Ele não tomaremos por você! Desejo profundamente no meu coração que você tome a decisão correta, pois chegou o tempo para aqueles que estão dispostos a ouvir a voz do Senhor, a viver a alegria, a paz e a abundância do Seu reino nesta terra e manifestar a Sua glória.

 

 

Grandes bênçãos,